A Locomotiva Fashion da Louis Vuitton

Admito que não acompanho a agenda de desfiles, vejo os releases e se bate com um horário que eu to livre acabo vendo um livestreaming ou algo do tipo. Pois hoje acordei e uns sites gringos que leio comentaram que o desfile da Louis Vuitton estava prestes a começar, pois tomei meu café da manhã quase que trabalhando.
Trabalhando não, me deliciando, porque o desfile foi maravilhoso!
Cenografia impecável, vindo do histórico recente da Vuitton com elevadores, hotéis antigos e um carrosel de modelos, não dava pra esperar pouca coisa… E Marc Jacobs não decepciona, nunca! Uma locomotiva linda trouxe as modelos para a passarela, que era uma estação ferroviária. Lindo de ver e acompanhar.
As famosas bolsas e malas da marca, que foram o destaque depois da cenografia, eram levadas ao lado das modelos por homens vestidos como maquinistas. Vimos couro, muita pele e diversos tamanhos: das mini as maxi bolsas e malas.
O couro também apareceu em vestidos e casacos, bem trabalhado com aspecto brilhante, contrapondo com o mesmo mais opaco, ora acompanhando brilhos ora acompanhando detalhes de pele nas golas. Aliás aplicações de brilho e bordado apareceram em looks inteiros, acompanhando a paleta sóbria escolhida pela marca.
Nos shapes foram re-apresentados classicos: casacos em linha A, vestidos retos e saias sobrepostas a calças retas. Golas altas reapareceram em veludo especialmente e botões que se assemelhavam a broches, tanto no tamanho quanto no cuidado. O comprimento continuou midi, exceto para alguns casacos, mas valendo até para as calças que ficaram pela altura do tornozelo.
Se fosse pra jogar uma década de referência passaria perto da segunda guerra, tanto pela cores quanto pelo styling usado, me lembrou algumas imagens de aulas e livros de indumentária, e até filmes clássicos.
Com isso vem uma teoria que percebi em algumas fotos, desfiles e coleções: já faz um tempo que olhamos para décadas anteriores como fonte de inspiração, passamos pelos anos 70 e 60 recentemente e estamos voltando mais: franjas vindas do jazz dos anos 20, minimalismo não menos feminista de entre guerras. Vemos as tendências se focando em épocas que o consumo desenfreado não era o foco, o contrário do que vemos hoje. Não falo isso como uma tendência comportamental efêmera, acho mesmo que será o nosso background daqui alguns anos, antes que precisemos reciclar roupas, literalmente.

Fotos: Style.com

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A Silhueta da Balmain

Existem marcas e marcas. Daquelas que vemos o que fizeram na última coleção da passarela porque rolou um burburinho e aquelas que nós aguardamos ansiosamente a próxima coleção.
Já descrevi aqui minha vontade de ser milionária e viver de Balmain, aliás milionária e magra, porque né, não dá pra usar os minis com perninhas de “Mulher Fruta”.
Pois bem, Olivier dessa vez tomou como inspiração um Ovo Fabergé que foi dado a Elizabeth Taylor e trouxe um trabalho com perólas maravilhoso. A silhueta contava com calças skinny e flare, saias lápis e muita jaqueta oversized, um shape quadrado contrapondo com os minis justíssimos da marca. Muito veludo, muito bordado com pérolas e muito couro, como a gente sabe que a Balmain adora.



O que dá pra ver é que Rousteing está sabendo conduzir a Balmain sem (me) decepcionar. Achei o trabalho com os bordados em couro maravilhoso, super cuidadoso e obviamente uma fortuna, até porque a Balmain é conhecida por preços absurdos. Aliás, uma das jaquetas acima (a terceira foto) é considerada a mais cara feita pela marca até hoje, se alguma fast fashion fizer algo similar a gente agradece, de coração.

Fotos: Style.com

Dior, mais drama, por favor.

É bem verdade, e vocês já devem ter percebido isso, que Dior é uma das marcas mais queridas pelos que vos escrevem neste modesto blog.
Não é pra menos, em quesito histórico Christian Dior talvez seja meu segundo favorito, perde para Coco Chanel, meio óbvio, porém ele cria uma das silhuetas que eu mais gosto, o que são muitos e muitos pontos.
Quando aconteceu toda a história do Galliano ano passado nós aqui sofremos, sofremos por um ídolo e por saber o quanto isso afetaria a Dior. E bom, não erramos.
Depois de alguns desfiles sentindo a falta da batuta Gallianesca e de todo o drama que o envolvia, vimos nessa última coleção de alta costura, apresentada em Paris, uma saudade ainda maior.
Muitas vezes a silhueta imortalizada de Christian Dior apareceu, cinturas marcadissímas com saias esvoaçantes ou com saias lápis. Tudo aquilo que sabemos que nunca dará errado sendo refeito sem nenhuma novidade.
Eram looks lindos, confesso, fiquei apaixonada pelo trabalho dos plisses que acrescentavam mais fluidez aos modelos, mas ainda assim não eram novos. Talvez Galliano não fizesse diferente, até porque quem está coordenando a marca agora era seu braço direito, mas ele acrescentaria um pouco mais de charme e performance.
Talvez o que mais me surpreendeu em todo desfile foi a trilha sonora de Lana Del Rey, uma modernidade, possivelmente esperada para outros desfiles, não para Haute Couture, pelo menos por mim.
No mais a gente pede que o drama volte as passarelas, até porque os que envolvem a direção criativa da marca estão perdendo graça, virando novela mexicana e prejudicando muito a imagem da marca.


Fotos: Style.com

And all that jazz…

Estamos aqui na segunda semana do ano, Fashion Rio e SPFW batendo na porta e os pre-falls estão aí desde dezembro. Vocês bem sabem que não sou a melhor pessoa pra comentar desfiles e coisas do tipo, mas, durante meu tempo livre dei uma olhadinha no Style.com e fui conquistada por uma foto da Emporio Armani, que me fez ver as treze disponíveis no site…

Diferente de outros estilistas eles não suavizaram, deixaram tudo invernal, escuro, com cara de friozinho europeu com sentimento de nostalgia dos anos 20, o que restou da primavera. Ficaram franjas, cinturas desmarcadas, veludo e pois em lã, e pra suavizar um pouquinho, tons de rosa-malva salpicados em vestidos, contrastando com chapéus e trejeitos mafiosos, que me lembraram figurinos do último filme do Woody Allen que eu assisti.

Fotos: Style.com

Summer Loving

Semanas de moda vem e vão e o nosso amor eterno por algumas marcas (e seus respectivos designers) permanecem, é mais ou menos isso que eu penso depois da última maratona.
Acompanhei os desfiles de Nova York, mas devido a falta de tempo Londres, Milão e Paris ficaram meio esquecidas, ou não, meus designers favoritos e até os melhores reviews aleatórios eu dei uma olhadinha. Dentre esses assisti o streaming da Prada no meu horáriozinho de almoço e, como de costume, fiquei querendo muita coisa.
Miuccia Prada, a responsável pela Miu Miu e pela Prada, veio sambar na cara dos outros designers e criar estampas must-love (de novo) e sapatinhos que me fazem perder a noção do ridículo.
Como assim perder a noção do ridículo, Mariana? Você tá elogiando ou criticando?
Miuccia, como li num texto excelente dias atrás, é uma pessoa que cria coisas que, talvez fora de um contexto ou universo criativo, você não teria coragem de usar. Ou teria, mas não contaria pra ninguém (até porque se eu sair com uma saia de bananas meus amigos vão me chamar de Carmen Miranda até a minha décima geração seguinte).
Ela beira um excesso que faz você querer boa parte de sua coleção, ao mesmo tempo que vê se pulverizar por todos os lados, ou seja, um entendimento incrível pra quem quer ter uma marca de muito sucesso.

E essa última semana de moda não foi diferente, o feminino da Prada continuou as estampinhas fofas de carros velozes vistas no masculino, e trouxe mais, saltos literalmente turbinados, prints e aplicações flamejantes e bolsas estruturadas… A paleta de cores me remetia a uma coisa meio retrô, bem como shapes e plissês. Eu queria muita coisa…

Já em Paris, a Miu Miu, pra mim, ficou com cara de gente grande: cores mais sóbrias, patchworks (oh, eu não gostava e fiquei querendo de novo) e rendas coordenavam com cinturas super marcadas por saias acetinadas.

E se você não se encantou por essa coleção ainda, espere até sairem as respectivas campanhas ou você encontrar no fast-fashion mais próximo… Você provavelmente mudará de opinião.

Fotos: Reprodução

TOP 5: NYFW

Eu posso até comentar dos desfiles que mais gostei da NYFW depois, por hora vou falar sobre os sapatinhos que eu mais gostei das passarelas e talvez por consequência influenciem nos meus desfiles favoritos, ou não, gostei de alguns que os pézinhos não favoreciam, mas a vida segue não?

Um comentário necessário, olhando todos desfiles mesmo que sem um olhar critico, eu percebi que muitas marcas levam ao pé da letra o tal “ready to wear”, tão comercial que você conseguiria tirar da passarela e sair pra rua usando naquele exato momento, o que pode soar meio chato eu admito, mas em alguns casos funciona (alô Anna Sui, quero metade da coleção no armário! Beijos).

Enfim, foco!

#5 – Jeremy Scott

Li um release no Style.com antes de começar a escrever sobre ele, porque ao ver as fotos do desfile juro que cantava mentalmente “sweet home alabama” só que numa voz meio Woody de Toy Story…

Em partes eu não estava tão errada, pelo que entendi Jeremy cresceu em algum lugar de Missouri e isso influenciou na coleção: Greetings from Paradise, inclusive tinha até um vestido-cartão-postal que parecia ter fugido do Havaí que vemos em desenhos animados… Os sapatos, alguns de parceria com a Adidas eram dignos de desenhos animados (e confesso que por mim usaria, mas eu sou sempre a exceção)!

#4 – L.A.M.B

Sou suspeita porque eu gosto bastante da marca, mas boa parte dos calçados não me agradaram, exceto por esses: cores bem verão e dignas de serem usadas agora no nosso país!

Sem contar que ando amando essas sandálias pesadas coloridas, vocês não?


#3 – Derek Lam

São modelos clássicos, perfeitos pra gente usar em trabalhos, eventos sociais e todo lugar, com um diferencial necessário: texturas e materiais diferentes! É muito amor e vontade de ter um de cada fácil no armário.

#2 – Oscar de la Renta

Oscar de la Renta sempre me lembra um episodio de Sex and the City, onde a Carrie tinha gostado de um vestido e aquele russo mega charmoso dá de presente pra ela e ainda diz que o estilista é seu amigo e o chama de ‘Oscar’…

No mundo real a gente sonha com as saias volumosas e a inspiração 70’s do estilista! Nos calçados cores, o styling com meia e open shoes (vocês viram quantas marcas usaram desse truque?) e plastico! Queria muito um de cada pra mim, quem me conhece sabe que eu super usaria!

#1 Anna Sui

Eu admito que achei bem comercial o desfile, mas me vi usando muitas estampinhas da marca, me lembrou muito da Moschino e o coração que foi hit na última estação e os calçados da coleção da Miu Miu com bolinhas e etc…

O ‘Espadrille’ com cerejinhas ganhou meu amor! O oxfordzinho diferente também, só o salto não favoreceu muito mas a gente entende que nem tudo são flores… ou não…. na Anna Sui são flores, corações e borboletas (até nas meias calças)…

Fotos: Reprodução

Paris Fashion Week S/S 2012 – Masculino

Dior Homme

Unindo a tradicional sofisticação da Dior com os traços minimalistas das roupas usadas pelos Samurais, o estilista Belga Kris Van Assche – diretor criativo da Dior Homme – apresentou uma belíssima coleção para a primavera verão 2012.

A alfaiataria clássica ganha ar despojado e descontraído com os recortes e desconstruções aplicadas em algumas peças. Ganhou destaque as peças de silhuetas amplas com modelagens e elementos retirados dos uniformes de Samurais como as camisas sem manga, gola V e faixas na cintura.

Em resumo, com uma coleção completamente simples e austera o estilista Kris Van Assche atingiu um resultado final extremamente sofisticado e poderoso.

John Galliano

Esta foi a primeira coleção da grife sem a assinatura do gênio estilista John  Galliano que tem como sucessor o estilista Bill Gaytten. Para a coleção verão 2012 Bill teve como referência a Londres dos anos sessenta, apresentada de forma literal logo no primeiro look do desfile reproduzindo o clássico uniforme da Guarda Nacional Britânica.

A Pop Art dos artistas David Hockney e Peter Blake foi outra referência usada pelo estilista para desenvolver as estampas com pegada mais artística. O mood geek e militar também permeou a coleção com ternos, calças, bermudas, suéteres e casaquetos de cores alegres como o azul, verde, rosa e amarelo.

 No fim do desfile a passarela foi invadida por looks mais sóbrios de shapes ajustados ao corpo conferindo um ar sexy, com muitos acessórios e elementos. É possível visualizar o próprio John Galliano em alguns looks.

Louis Vuitton

 O estilista que substitui Marc Jacobs,  Kim Jones inspirou-se na vida do fotógrafo Peter Beard  consagrado na década de 60-70 por dedicar boa parte de sua vida e trabalho à África.

 No seu desfile de estréia, Jones trouxe um safári-chic para a passarela em looks que remetem a roupas de guardas-florestais.

Na contramão foram apresentadas também peças com uma pegada mais esportiva, como os shorts de comprimento míni, trench coats, e suéteres. Destaque para as jaquetas “Windbreakers” – tipo específico de jaqueta que impede a passagem do vento – e as “Versaty” – modelo colegial muito usado pelos estudantes americanos da elite.

Kenzo

 O estilista Antonio Marras trouxe muita cor e inúmeras flores para o verão 2012 da grife Kenzo.

 Os ternos estavam presentes em praticamente todos os looks, coordenados com calças – quase sempre com a barra dobrada – e bermudas.

 Eu notei certa semelhança nesta coleção com a que foi apresentada pela D&G na semana de Moda de Milão há algumas semanas atrás, nas estampas de camisas, calças e bermudas que lembram desenhos dos clássicos lenços de seda, será tendência ou apenas uma coincidência-fashion?